Ainda bato nesta tecla: Estes garotos vão dominar o mundo.Entrevista com Grego Blue que fala sobre música, Muse e dominação mundial.
como começou a banda?
G:mais ou menos como começou todas as bandas, a gente foi tocando até juntar um grupo com as
pessoas que se gostavam mais e tinham mais afinidade, nada novo quanto a isso…
tipo,”você gosta de tal banda, vamos ser amigos e tocar numa banda de rock??”
G:não, mais pro tipo “nós somos amigos e tocamos junto, mas aquele cara é um babaca, vamos fazer um motim e chamar aquele outro que é muito mais legal e é beatlemaníaco?!”
Influência pra banda, além dos Beatles?
G:Rolling Stones!(risos)eu posso citar muitos outros nomes de várias épocas diferentes, mas é difícil falar de influências pela banda toda, mas posso citar alguns nomes que tenham influência direta no som da banda além dessas…
Tipo…?
G:Chuck Berry, Bob Dylan…Dos sons mais atuais curtimos muito Oasis e Kings of Leon.Mas acredita em mim, é muito difícil citar bandas que influênciem a banda, ainda mais sozinho… porque influência pra banda é uma coisa muito maior do que os sons que a gente curte ouvir
E pessoalmente, suas influências??
G:Eu, Greco Blue, piro no Johnny Cash e escuto muito blues em casa, Howlin’ Wolf, Muddy Watters, John Lee Hooker, Robert Johnson, Elmore James… mas a real é que a influência desse som pra banda é muito sutil, muito mesmo! só com muita sensibilidade pra achar o blues lá no fundo do nosso som!(risos)
Neste rock atual,ninguém é fã de blues, só de punkrock de esquina
G:É porque rock é muito fácil… o difícil é a parte do roll!
Muitas pessoas aprenderam a tocar rock ontem e já se acham o Jimmy Hendrix da vida, a revolução em pessoa.
G:Se você quiser comparar com Jimi Hendrix, então a gente ainda não aprendeu a tocar guitarra!(risos)
Uma comparação mais próxima, um Matt Bellamy(guitarrista/vocalista do Muse) da vida.
G:Por favor, sem comparações com o Muse para que possamos prosseguir a conversa amistosamente!
Você não gosta de muse?
G:Agora me sinto confiante pra falar em nome de toda a banda: Não!
Desculpa.É difícil achar alguém que não gosta deles.
G:Achou quatro pessoas aqui.O muse e tudo que o som deles representa é tudo que nós lutamos contra! vai contra todos nossos ideais sobre música! pra mim essa estética sonora é o maior atraso pra nossa geração e o futuro da música!
Explique
G:Quando eu escuto as bandas que seguem essa estética, só consigo pensar “o que diabos esses caras querem??”! O som deles não me motiva a nada, não me dá vontade de dançar, não me dá vontade de relaxar, não me dá vontade de foder, não me dá vontade de fazer uma música nova, simplismente passa batido, não representa nada pra mim…As novas tecnologias estão aí e qualquer um pode usa-las e fazer uma super produção, mas se você não tiver bom gosto, elas não servem de nada.Pra mim a composição tem que ser poderosa!Se você tocar ela voz e violão, ela tem que mexer com a pessoa que está ouvindo, mas eu não sinto isso nas composições dessas bandinhas do hyppe atual… super-produções, porém composições e escolhas sonoras que não vão ficar na história, daqui alguns anos vão estar esquecidas por causa de alguma outra tendência.
Isso é o que vai acontecer com o indie, diz alguns jornalistas…Mais alguma banda que te remete a isso?
G:Eu não estou falando que todas as bandas indies sejam assim, até porque eu nem ao menos posso dizer com firmeza o que seja um indie… e sim, tem muitas outras bandas, mas eu prefiro não ficar falando sobre isso, não quero gastar o tempo dos leitores falando mal de terceiros… na real eu nem sou um odiador de Muse, só é um som que passa batido por mim.
Você falou sobre música pra fazer as pessoas sentirem.Isso significa não fazer uma música em inglês?Até porque, poucos sabem inglês.
G:não se toca as pessoas únicamente através das palavras… ás vezes vem através de um acorde, uma melodia bonita, uma virada de bateria, absolutamente qualquer coisa! a gente nunca compôs uma música, mas no disco que estamos terminando tem uma música chamada “Jantar com Raul” que tem uma estrófe em inglês… muitos artista brasileiros consagradíssimos já compuseram e cantaram em inglês.E tudo depende de quem você queira tocar também!
Claro, como Tom Jobin e o próprio Raul.Mas uma música totalmente em inglês?Ou com outra lingua que não seja portuguesa?
G:A gente só tem músicas em português… até agora!Mas acho super natural uma pessoa que passe grande parte do tempo ouvindo música e/ou lendo em inglês acabe produzindo material nessa língua… eu mesmo to numa cliníca de reabilitação à língua portuguesa!Pirei um tempo no som do inglês, que é indiscutívelmente a língua mais músicavel e é muito gostosa de se ouvir e falar!O lance é que as pessoas ligam boas letras com temas de extrema importância pra sociedade… pra mim uma boa letra é um jogo de palavras que soe bem numa música!
No meu caso, acho letras boas aquelas que vem com uma boa frase, algo que seja importante pra pessoa.
G:tem gente que diz que “I Feel Fine” é uma letra idiota e fútil, pra mim é uma grande letra! o jogo de palavras simples que ele usou nessa música é incrível! simples pra caralho, mas quero ver se alguém que não o John Lennon ia ter a manha de pegar palavras fáceis e fazer soar tão bonito e encantador!Mas no seu caso então, só existem as letras boas na sua opinião, você está dizendo então que não existem critérios pra uma letra boa, que só quem pode dizer se é boa ou não é você mesmo… e eu também concordo com essa forma de pensar, mas a partir dela, você perde o direito de criticar qualquer letra.
Concordo.Mas,ninguém esta apto a criticar qualquer tipo de coisa, já que opinião todo mundo tem o seu.Então, os críticos musicais vão morrer de fome, porque ai não haveria emprego pra eles.
G:já eu acredito que todo mundo pode criticar todo mundo, mas tem que saber ouvir também… digo todo mundo tem esse direito, menos os critícos de música, porque esses nunca conseguiram fazer muita coisa
Álias, você se importa com critica negativa?Tipo, levar duas estrelas na Rolling Stones…
G:não, é o que eu disse acima, com certeza não é legal receber críticas negativas, mas se você confia e gosta do que faz, não vai se deixar abater por causa da opinião de um crítico gordinho e bunda-mole numa sala de redação!
Vocês gostariam de dar uma de CSS e fazer um show num festival grande, tipo Coachella?
G:Eu to trabalhando pra isso, querida!Os Azuis querem tudo! queremos conquistar os maiores palcos do mundo!
Abrirem pra alguma banda??
G:Sonhamos em abrir pra bandas enquanto não formos os caras, mas o nosso objetivo é ser os caras!Nosso sonho não é ser uma bandinha que toca em alguns lugares legais, nós queremos a azulmania, garotinhas gritando e arrancando roupas… queremos trazer o rockstar de volta… e queremos que os Rolling Stones abram nosso show!
Sempre vejo entrevista de bandas dizendo que se contentam em fazer sucesso em território nacional, e normalmente são bandas medilcres, não acrescentam em nada na história musical.
G:por isso que se contetam com pouco!
Com certesa, vocês estarão no Lollapazola no próximo ano.
G:amém!!
Como surgiu a oportunidade de ter seu videoclipe na MTV?
G:a oportunidade foi fazer o clipe! passar na MTV foi uma recompensa gostosa… a gente mandou um e-mail pra lá perguntando como se fazia pra enviar o clipe, eles responderam, nós enviamos e agora tá passando direto no MTV Lab pra nossa grande surpresa e felicidade!
O cenário nacional de rock além do emocore tá muito escasso, achar uma banda que se difere é muito dificil…Isso é vantagem?
G:isso sempre foi vantagem, de todos os tempos… no começo dos anos 60 teve a invasão britânica, um monte de bandas de rock inspirada nos negões americanos, “nossa que maravilha!” mas quem sobreviveu à história? quais bandas da invasão britânica que você realmente adora ouvir? são muito poucas… a falta de qualidade da concorrência sempre foi uma vantagem!Mas eu acho que hoje tem muito mais bandas independentes aqui no Brasil com propostas muito legais e interessantes, muito mais do que cinco anos atrás… mas ainda tá muito disperço e os produtores ainda não aprenderam a trabalhar da maneira correta pra fazer o rock no Brasil realmente acontecer como deveria!
Talvez por isso que conto no dedo bandas realmente boas brasileiras.As que fogem do esteriótipo global(bandas que participam de eventos ou programas da rede Globo), certo?
G:Eu não vejo problema nas bandas quererem seguir por esse caminho, que é próximo ao que desejamos trilhar… acho que cada banda deve fazer melhor proveito de suas oportunidades, através daquilo que acredita e deseja… o mais importante de tudo é a música!E isso que acredito que as pessoas estejam esquecendo… a coisa mais importante de tudo é a música, é por isso que as pessoas tocam e é pra ela que nós vivemos!mas eu acho que quem quiser tem mais é que ficar em evidência e aparecer aonde puder… até porque, quanto mais você tiver em evidência, mais pessoas vão escutar o seu som, o seu trabalho. Você só não pode trair a si mesmo!
Você corre o risco de algum fã chato dizer que vocês trairam o movimento, cuidado
G:Inclusive agora a gente vai participar de um festival que vai virar uma porra dum reallity show!Quero ver alguém falar qualquer coisa na minha frente!
Mas sempre falam…o sentimento de traição a um movimento inexistente que a banda resolveu seguir porque os fãs queriam esta sobre a cabeça daqueles que se dizem fãs deste o primeiro single, ou seja, se vocês começarem a fazer sucesso, o que está próximo de acontecer, muitos deixarão de gostar da sua música só por causa disso.Está preparado?
G:pelo que eu conheço da história da música, todos os casos de “traição do movimento” eu fiquei do lado do artista e reparo que quem faz essas acusações são uns babaquinhas que não sabem nada-de-nada e querem tirar onda.. quem curte Os Azuis desde o comecinho da banda, sabe que muita coisa já mudou e que muita coisa ainda vai mudar
Mas tem aqueles que não vão suportar quando vocês aparecerem na Globo.Vão dizer que vocês foram mais humildes…
G:Calma aí, quem conhece a gente, até mesmo desde antes da banda, sabe que humildade passa longe!Brincadeirinha, gente!
Porque o nome da banda é Os Azuis??
G:Foi inspirado em The Little Boy Blue & The Blues Boys, primeira banda de Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones juntos, que veio a ser os Stones.
Mas sempre foi Os Azuis?
G:Desde o primeiro minuto.
Vocês tocam covers….qual a favorita de ser tocadas por vocês?
G:Shout dos Isley Brothers é clássica nos nossos shows… mas a gente sempre toca covers diferentes nos shows, tenta fazer surpresas pra nosso querido público.
O assédio de groupies, fãs doidas e loucas por vocês já é muito?
G:Ele existe, mas ainda falta muito pra chegar lá
Bom, já possuem uma gravadora?
G:Não
Algum cd que você tenha escutado muito recentemente?
G:Bom, um disco fundamental pros Azuis, que nós escutavamos muito quando estavamos montando a banda é o Help!, recentemente estamos descobrindo toda a magia por tras do Black & Blue e do Some Girls dos Stones.
Alguma coisa que é fundamental saber dos Os Azuis?
G:Sim, nosso disco de estréia, com 15 música deve ficar pronto daqui a umas semanas… e daí começará nossa caminhada pela dominação do mundo.
Pra terminar, algum recado pra o Letsmakemusic?
G:Só tenho a agradecer pelo interesse e pelo espaço que vocês estão nos dando! Continuem investindo nas novidades, que são os grandes sucessos de amanhã!